Audições para solistas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro para a temporada 2014

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O Theatro Municipal do Rio de Janeiro, vinculado à Secretaria de Estado da Cultura, anuncia AUDIÇÕES para papeis solistas das seguintes óperas de sua Temporada 2014:

CARMEN, de Georges Bizet.
Personagens: Carmen, Don José, Micaela e Escamillo.
Período de montagem: de 18 de março a 15 de abril de 2014
Nove récitas previstas

SALOMÉ, de Richard Strauss.
Personagens: Salomé e Herodes.
Período de montagem: de 2 a 26 de junho de 2014
Cinco récitas previstas

WOZZECK, de Alban Berg.
Personagens: Marie, Wozzeck e Capitão
Período de montagem: de 4 a 31 de agosto de 2014
Quatro récitas previstas

A FLAUTA MÁGICA, de Wolfgang Amadeus Mozart.
Personagens: Tamino, Pamina, Papageno, Sarastro e Rainha da Noite.
Período de montagem: de 3 de novembro a 7 de dezembro de 2014
Oito récitas previstas.

As audições, sob responsabilidade artística do Maestro Isaac Karabtchevsky e do Maestro Silvio Viegas, serão realizadas neste ano de 2013 em dois locais:

• na ITÁLIA, em Riva del Garda, de 6 a 10 de agosto, no Auditório do Conservatório F.A. Bonporti, no Largo Marconi. Inscrições até o dia 25 de julho.

• no BRASIL, no Rio de Janeiro, dias 19, 21 e 23 de setembro, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Praça Floriano, s/n. Inscrições até o dia 5 de setembro.

As inscrições serão feitas exclusivamente por e-mail, em que deve constar o NOME COMPLETO, NÚMERO DE DOCUMENTO DE IDENTIDADE, TIPO DE VOZ e PAPEL PARA O QUAL AUDICIONARÁ.

Para as audições na Itália: info@musicarivafestival.com.

Para as audições no Brasil: artisticatheatromunicipal@gmail.com.

Mais informações: info@musicarivafestival.com
artisticatheatromunicipal@gmail.com

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Um presente de Natália Áurea para quem quer aprender a cantar

Já faz um tempo que não escrevo, é verdade. Apesar da minha paixão pela ópera e música clássica, é tanta coisa acontecendo no mundo que estive me dedicando ao meu outro blog (se você espera encontrar algo relacionado a música, nem clique rsrs. É completamente diferente).

Mas como nunca deixo de escutar ópera, esses dias fuçando no You Tube encontrei uma surpresa de uma soprano brasileira que eu adoro: a Natália Áurea. Além de linda e charmosa, Natalia é dona de uma maravilhosa voz de soprano coloratura lapidada por ninguém menos que Neyde Thomas. Eu já conhecia o blog de Natalia, o Superious Sopranos, mas agora Nat, como é chamada, resolveu passar para a frente toda a herança que recebeu de Neyde em uma série de vídeos no seu canal no You Tube, para que esse precioso conhecimento não se perdesse no tempo. Uma atitude muito generosa, que eu admirei bastante!! Acesse seu canal aqui.

Natália Áurea, soprano brasileira

Natália Áurea, soprano brasileira

Nos vídeos, Nat, que também é solista da OSESP, aborda temas como voz de cabeça, vibrato, low voices, como cantar notas agudas, técnicas de aquecimento vocal e uma série muito útil para iniciantes sobre como cantar as músicas do Vaccaj. E o mais incrível: responde prontamente e com toda a simpatia todas as dúvidas que fazem a ela na seção de perguntas. Veja abaixo alguns de seus vídeos.

Natalie Dessay como Violetta: Oh, Gioir!!

Todos amam a soprano coloratura Natalie Dessay interpretando personagens próprios para sua voz. Agora que ela resolveu pegar um papel mais pesado, como ela está se saindo?

Dessay fez seu debut americano no papel de Violetta, de La Traviata (Verdi), em 2009, no Santa Fe Opera Festival. Agora, na temporada 2011/2012, leva sua interpretação a grandes teatros do mundo, como o Vienna State Opera e o Metropolitan Opera de Nova York (neste último, estreou há poucos dias). Bom sinal.

Dessay é conhecida por sua voz cristalina, agudíssima, brilhante e ágil. Mas será que ela consegue suportar as exigências do segundo e terceiro atos, neste que é um dos papéis mais difíceis para sopranos, por demandar muito, técnica e dramaticamente (como já explicado no post abaixo, de La Traviata no Municipal)?

Bem, a resposta você pode ver no vídeo abaixo, que mostra trechos de Dessay como Violetta, no Festival d’Aix en Provence, em 2011:

Li muitas críticas a respeito de suas interpretações e a conclusão é a de que Violetta continua com toda a grandiosidade que merece. Sim, em algumas apresentações, sua voz pareceu cansada no segundo e terceiro atos, não totalmente encorpada. Mas tudo isso foi eclipsado pela interpretação brilhante em outros trechos, com sua voz sempre linda, “sempre libera” e luminosa, cheia de expressividade, e sua atuação impecável.

Aqui, alguns trechos de uma entrevista que ela deu para Classical TV, sobre seu novo desafio, na época da estréia em Santa Fe:

O repórter perguntou a ela por que cantar Violetta, e por que agora. Ela respondeu: “Por que agora? Eu te conto: em um certo ponto, fica tarde demais!! Você precisa de muita força e energia para este papel. Se esperar muito, você simplesmente não vai conseguir. Afinal, estou com 44 anos.” E mais: ” Por que eu deveria esconder a idade? Tenho muito orgulho dela. Passei por cirurgias nas minhas cordas vocais, passei por muita coisa, mas veja!! Eu sou uma sobrevivente, e estou em ótima forma.”

Sobre as expectativas em relação a este novo trabalho, ela diz: “Oh, eu sei, eu sei, todos estavam dizendo ‘ela não vai conseguir, sua voz é muito leve, este não é um papel de coloratura. Eu pensei exatamente a mesma coisa no início, que eu não tenho a voz certa”. Mas acabou mudando de idéia. “Eu sabia que poderia fazer do meu jeito, não do jeito que as pessoas estão acostumadas a ouvir. Você pensa ‘soprano lírico dramático’, você não pensa mais em uma soprano mais aguda. Mas no passado muitas sopranos agudíssimas interpretaram o papel e foram Violettas muito interessantes.”

Sobre se vai começar a se dedicar a papéis mais pesados, ela é prudente: “Minha voz não está escurecendo muito. As pessoas não percebem que meu repertório encolhe a cada ano. Quando você tem uma voz como a de Reneé Fleming ou Anna Netrebko ou Angela Gheorghiu, você tem tantas opções!! Mas com uma voz como a minha, você canta estes papéis mais leves por um tempo, e então fica difícil encontrar qualquer outra coisa. Eu planejo fazer Puritani antes que seja tarde demais, e talvez Giulio Cesare, mas que outros desafios eu posso ter, de verdade?

Bem, depois dessa entrevista, Giulio Cesare ela já fez. E lindamente, por sinal!! E mais uma frase que achei fantástica:

”Mas eu queria me aposentar aos 95 anos, se possível. Se eu pudesse trabalhar até 95, eu seria a mulher mais feliz do mundo.”

Se eu tivesse a sua voz, também seria, Natalie!! Agora, admiro ainda mais essa mulher!!

Você pode adquirir o DVD de La Traviata, com Natalie Dessay no papel de Violetta Valéry, no Festival d’Aix en Provence aqui.

Anna Netrebko: um merecido sucesso

Ontem, assisti algumas entrevistas dadas pela prima donna russa Anna Netrebko, e inclusive os vídeos que fazem parte da seção Ask Anna, de seu website. E me surpreendi ao ver quão natural e simpática ela é – mas não aquela simpatia de frases e sorrisos decorados, mas sim aquela que é verdadeira, que a gente percebe que não é para nos impressionar, até porque sua voz e sua beleza já cumprem esse papel.

A Anna (depois das entrevistas, já somos quase íntimas), para mim, tem uma daquelas belezas de sopranos das décadas de 50 e 60, como as americanas Roberta Peters e Anna Moffo. É aquela beleza antiga e jovem ao mesmo tempo, de traços redondos, sobrancelhas arqueadas, olhos marcantes e um quê de nostalgia que não se explica.

Há controvérsias quanto à sua voz: alguns dizem que é magnífica, outros que não combina com bel canto, outros ainda dizem que Anna toma muita liberdade com relação às partituras. Particularmente, acho que ela tem uma belíssima voz escura, rara, com uma grande tessitura, e também acho que ela interpreta muito bem – coisa que nem todas as grandes cantoras sabem fazer.

Mas eu quero falar mesmo é de como essa moça me impressionou, no bom sentido, ao nos mostrar sua intimidade. Coloquei abaixo vários vídeos de Anna em entrevistas. Anna é uma mulher que bem poderia ser aquela nossa vizinha apaixonada por animais, ou então a dona da floricultura do bairro, ou ainda uma professora da escola de nossos filhos. De que outra diva poderíamos dizer isso? Ironicamente, ela foi faxineira do Teatro Mariinsky, em São Petesburgo, onde foi descoberta. Talvez por isso ela se mostre tão à vontade e tão próxima de nós. Não se coloca naquela figura inatingível e mítica em que muitos cantores líricos se colocam. Ela é gente de carne e osso, faz piada, gosta de música pop, vai à balada. Parece óbvio? Não se sabemos do necessário perfeccionismo que toma conta dessa área em muitos aspectos. Anna costuma aparecer chiquérrima em eventos, concertos ou programas de TV. Mas aparece sem maquiagem, de camiseta e com seus charmosos quilinhos a mais pós-gravidez nos vídeos Ask Anna, de seu site oficial. Neles, Anna responde a perguntas de fãs com a maior naturalidade, esclarecendo dúvidas como quais são seus escritores russos favoritos, quais são seus cuidados de beleza e, ainda, que canções de ninar ela canta ao seu filho Tiago, à qual ela respondeu: “Nenhuma, senão ele fica olhando para mim e não dorme.”

Anna não tem o menor problema em falar sobre críticas ou sobre possíveis pontos fracos. E é justamente isso que a torna mais humana, tão humana quanto seus personagens. Você pode comprovar isso na entrevista dada à Natalie Dessay antes de sua apresentação da cena da loucura de Lucia di Lammermoor. Vale a pena assistir também à entrevista que ela deu juntamente com Rolando Villazón, quando de sua apresentação como o par romântico de La Traviata. Adoro quando ela diz que perdeu os troféus de um prêmio que ganhou. Ao que Villazón responde: “Eu vi no eBay!” É assistir para se divertir.

Pode ser uma jogada de marketing, se mostrar como uma cantora lírica popular e acessível, em uma tentativa de agregar um público mais jovem ao mundo erudito? Pode ser, mas, imagino, só na cabeça de seus marqueteiros. Porque, para Anna, tudo é muito sincero, sem artificialismos, sem apologias a uma origem humilde. Anna é o que se mostra: uma fantástica cantora, inteligente, divertida e extremamente natural – tanto com a maquiagem pesada de uma Manon, ou de rosto lavado.

 

Farewell, Joan Sutherland

Dia 10 de dezembro dissemos adeus à soprano australiana Joan Sutherland, conhecida como La Stupenda, apelido que ganhou após interpretar Alcina, na Itália.

Era dona de uma voz única, que ia dos graves aos superagudos ornamentados, sempre com o mesmo brilho e volume. Por isso, era uma das poucas sopranos dramático-coloratura que este mundo já viu. Podia interpretar de papéis verdianos a mozartianos, de personagens do bel canto aos do verismo. Mas o que mais me impressiona na sua voz, pessoalmente falando, é essa aura de transcendência, esse eco natural que ela parece ter, como uma voz que parece vir de outra dimensão.

Vou colocar aqui para todos ouvirem La Stupenda interpretando Lucia Di Lammermoor, um papel que, para muitos, é de seu domínio. Não existe outra Lucia mais perfeita. Joan é Lucia, e Lucia é Joan. Aproveitem.

La brasiliana in Italia – Tati Helene

Conheçam o blog da cantora lírica Tati Helene, contando suas aventuras nesta temporada que passará na Itália, cursando o mestrado que ganhou em bolsa de estudos do Conservatório A. Buzzolla, em Adria.

Tem muita informação bacana, relatos de viagem e fotos, e certamente por esse blog ficaremos sabendo de suas conquistas pelo velho mundo e além. Leia aqui.

Mergulhando em Callas

Ouvindo Casta Diva, na voz de Maria Callas, fico com vontade de mergulhar no Mar Egeu, onde, na primavera de 1979, as cinzas da cantora foram jogadas… é o mais próximo que posso chegar a essa divindade que tocou a terra física e emocionalmente.