Haydn e o LHC

E aqui vai uma homenagem à primeira operação bem sucedida que ocorreu hoje com o LHC, o famoso acelerador de partículas que pretende recriar as condições do Big Bang para decifrar os mistérios do nascimento do universo. Uma homenagem na mão contrária, uma vez que trata-se de uma peça que fala sobre a criação do universo pelas mãos de Deus.

Die Schöpfung, ou A Criação, de Franz Joseph Haydn, é um oratório dividido em três partes, escrito entre 1796 e 1798, com textos extraídos do Gênesis da Bíblia e do Paraíso Perdido, de John Milton, traduzidos para o alemão por Gottfried Van Swieten.

O trecho abaixo, Mit Würd’ Und Hoheit Angethan, é o número musical 24, e compõe a segunda parte do oratório. Fala sobre a criação do homem e da mulher e, apesar de tratar de um tema bíblico, as virtudes atribuídas a Adão relacionam-se com os princípios iluministas da época. Esse número foi cantado várias vezes para Haydn antes de sua morte em 1809, como um gesto de respeito por um militar de Napoleão. Com o tenor Ian Bostridge e a London Symphony Orchestra regida por Sir Colin Davis.

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Caixinha de Mozart

Uma curiosidade: fiquei sabendo pelo maestro João Maurício Galindo que Mozart, para se sustentar em certo período, teve que compor melodias para relógios e caixinhas de música. Imaginem só: mesmo com a limitação que estes objetos impoem, devem ter sido músicas lindíssimas!!

Figaro qua, Figaro là

Qual a relação entre o Fígaro de O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, e o Figaro de As Bodas de Figaro, de Mozart?

Ambos são o mesmo personagem, que apareceu na “Trilogia de Figaro”, do dramaturgo francês Pierre Augustin Caron de Beaumarchais. A ópera de Mozart baseia-se na segunda peça da trilogia, chamada La Folle Journé ou Le Marriage de Fígaro. Já a de Rossini, composta 30 anos depois, baseia-se na primeira, Le Barbier de Séville.

O Conde de Almaviva é outro personagem que também aparece nas duas óperas.

Abaixo, duas árias do famoso personagem:

Non Più Andrai, de As Bodas de Figaro, numa interpretação que eu adoro do Hermann Prey.

Largo Al Factotum, de O Barbeiro de Sevilha, pelo mesmo Hermann Prey.

Piano Improvisation no ChatRoulette

Este post não é exatamente sobre ópera, mas vale a pena. Muitos de vocês já devem conhecer o ChatRoulette, um site em que você se comunica com pessoas ao redor do mundo que você não conhece, por webcam, microfone e texto. A escolha das pessoas com quem você vai falar é randômica, de modo que você encontra desde usuários do Alaska até do Japão, de todas as idades e com os mais variados interesses. E assim que você desconecta com um usuário, outro aparece na sua janela.

Pois bem, esse cara chamado Merton resolveu usar o ChatRoulette para fazer improvisações no piano, criando músicas que falam sobre quem está do outro lado da webcam, como um repentista. O resultado ficou ótimo, dêem uma olhada.

Vivaldi, o padre que salva

Hoje é aniversário de Antonio Vivaldi. Há 332 anos, o compositor nasceu em Veneza – para mim, um presente de Deus. Vou escrever brevemente sobre sua vida, pois acho que é sua música que merece ser o centro deste post.

Conhecido por Il Prete Rosso, por seus cabelos ruivos, Vivaldi fez parte da orquestra da Basílica de San Marco, e foi o maior vionilista do seu tempo. Tornou-se padre em 1703 e ensinou violino no orfanato Ospedale Della Pietà, sendo para as crianças que compôs grande parte de suas obras. Talvez por isso sejam cheias de graça e ternura… Mesmo sacerdote, supõe-se que tenha tido casos amorosos. E eu acredito: acho que só alguém que experimentou essas emoções seria capaz de compor o Allegro, do concerto Inverno, de As Quatro Estações, com seus delicados staccatos (articulações musicais com notas desconectadas umas das outras).

Agora, por que acho sua música tão especial? Simplesmente, porque ela me faz bem. É a música que eu ouço com um certo propósito bem especial: elevar o espírito.

Seus concertos para flauta, por exemplo. Eles nos mostram que a vida é muito mais do que aquele problema que nos aflige… que aquela dúvida que nos atormenta, que o tédio, que a dor, que qualquer coisa deste mundo… Não. A vida é aquela música de Vivaldi. Está tudo lá. É maior, é eterno… É uma música que ajuda a abrir a porta para os sentimentos fluirem e deixar nosso coração mais leve. Porque chega devagarinho, ao som de um piccolo, que é o som das asas dos anjos. E, inofensiva, quebra a nossa guarda. É como se a música de Vivaldi pegasse a nossa mão e dissesse: eu sei. E, por simplesmente saber, nos conforta e nos deixa livres para sentirmos o que quisermos.

Vou deixar aqui um vídeo de um trecho de Stabat Mater. É um poema, que Vivaldi musicou brilhantemente. Este poema fala sobre a dor de Maria durante a crucificação de Jesus. Foi escrito no século 13 por Jacopone da Todi. Sua primeira frase é Stabat Mater dolorosa, que significa Estava a Mãe dolorosa. Ouçam e vejam como Vivaldi conseguiu traduzir em notas musicais toda aquela dor… Parece até que ele mesmo estava sentindo. E, por isso mesmo, é tão confortante. É nessa hora que vemos que não estamos sós.

Programe-se – Kátia e Paulo, Uma Alegoria Paulistana

Estréia neste sábado o musical inédito Kátia e Paulo, Uma Alegoria Paulistana.

De Álvaro Cuevas.

Coral UNIFESP
Direção musical e regência: Eduardo Fernandes
Direção cênica: Marcelo Lazzaratto
Arranjo: André Protássio

Março
06, 13, e 27 (sábados) às 20h
07, 14, 21 e 28 (domingos) às 19h
Não haverá espetáculo no sábado 20/03

Teatro Marcos Lindenberg
Rua Botucatu, 862
Próximo à estação Santa Cruz do metrô
Ingresso: R$ 10,00 e R$ 5,00