Apelidos na ópera

Cantores e cantoras excelentes existem muitos. Mas, na minha opinião, quando um deles ganha um apelido, quer dizer que ele ou ela conquistou algo mais. Parece só um apelido. Mas, elogiosos ou pejorativos, indicam uma distinção, um carinho especial do público, uma entrada para o hall-da-fama-dos-maiores-cantores-de-todos-os-tempos ou, simplesmente, que não passaram despercebidos pela história do canto lírico.

Vejamos, pelos cantores da listinha que fiz abaixo. São ou não são dos melhores do mundo?

Maria Callas = La Divina
Joan Sutherland = La Stupenda
Angela Georghiu = La Cancellosa (devido aos seus costumeiros cancelamentos)
Franco Bonisolli = Il Pazzo (O Louco, por causa de sua personalidade excêntrica)
Giuseppe Di Stefano = Pippo
Montserrat Caballé = La Superba
Beverly Sills = Bubbles
Piero Cappuccilli = Principe dei Baritoni
Leyla Gencer = La Sultana (ela era turca)
Dolores Varga = La Terremoto
Carlo Bergonzi = Il Catedrático
Titta Ruffo = La Voce del Leone
Mattia Battistini = Re dei Baritoni, Baritono dei Re
Renata Tebaldi = Miss No Tickets (porque os ingressos sempre se esgotavam no Metropolitan)
Torsten Kerl = La Cotorra (porque falava até ficar sem voz, tendo que cancelar eventos)
Jussi Björling = Il Caruso Sueco
Bidu Sayão = La Piccola Brasiliana

A mulher de 30 anos

Não, este post não é sobre o livro de Balzac, apesar de fechar com o vídeo de uma bela ária de outro francês, Bizet.

Estou com 30 anos e não tive nenhuma crise de balzaquiana. Ao contrário, estou sentindo novas sensações. Sensações que nunca imaginei que teria, nas quais nunca parei para pensar, e que me fazem pensar nas novas sensações que terei nas próximas décadas da minha vida.

Por exemplo: aos 30 anos, pela primeira vez, estou vendo virar gente grande alguém que eu conheci ainda bebê. Parece óbvio, mas não é. Antes, eu era a criança, ou meus amigos eram crianças, ou eu tinha primos ligeiramente mais novos do que eu, mas ainda sim, crianças ou, no máximo, adolescentes. Eu nunca tinha visto alguém crescer dos 0 aos 25 anos. Hoje, nos meus 30, estou presenciando pela primeira vez o milagre da vida: uma pessoinha que conheci com pouco mais de 40 cm cresceu tanto que já virou uma pessoa adulta. É a primeira vez na minha vida que tenho o privilégio de acompanhar tal transformação.

Outro exemplo: pela primeira vez na vida, eu tenho memórias longínquas. Antes, minhas memórias eram de no máximo dez anos atrás: quanto eu tinha vinte, me lembrava de quando tinha 5 ou 10 anos. Agora, aos trinta, essas memórias ficaram tão mais longe, e nem por isso menos felizes. É engraçado dizer: há vinte anos, eu comemorei meu aniversário com meus pais e minha irmã num minigolfe. Perece que foi ontem. Mas já faz tanto tempo… essa noção de tempo é mais um presente que eu estou recebendo agora, nos meus trinta anos.

Há muitas novidades ao se ter 30 anos, mas até então todas elas eram esperadas: amadurecimento, casamento, ruguinhas de felicidade de 30 anos bem vividos. O que me pegou de surpresa foram estas agradáveis novas experiências que eu não esperava.

Fico pensando que outras agradáveis experiências de primeira viagem a vida me reserva: quando eu tiver 70 anos, estarei sentindo como é ver uma pessoinha que eu vi bebê ficar velhinha. Saberei como é ser respeitada (ou não) em filas, ônibus etc. Pela primeira vez, posso dar conselhos às amigas com a propriedade de quem já viveu bastante, e não nas suposições. E terei lembranças ainda mais longínquas, de cinquenta, sessenta anos atrás. E vou parar de tentar adivinhar quais serão minhas próximas sensações porque o legal é isso: não estar esperando por elas quando elas chegarem.

Agora, vem a parte do vídeo. É uma ária da ópera Carmen, de Bizet, cantada por um coro de crianças. Chama-se Avec La Garde Montante.

Essa ária me lembra daquela época, há vinte anos, em que tudo era menos eletrônico e mais manual. A época em que a gente construía foguetes no quintal. Em que a gente corria atrás dos pintinhos e catava amora no sítio. Jogava um boliche improvisado na garagem. Comemorava o aniversário no minigolfe. E sentava para ouvir as histórias da vovó, aquelas bem longínquas, de cinquenta, sessenta anos atrás, que um dia também vou contar aos meus netos. Não é maravilhoso que, aos oitenta, a vida ainda reserve novidades para a gente?

Avec la garde montante, nous arrivons, nous voilà!	Com a guarda em formação, chegamos, aqui vamos nós!
Sonne trompette éclatante!  Ta ra ta ta ta ra ta ta.	Soe trombeta brilhante! Ta ra ta ta ta ra ta ta.
Nous marchons la tête haute comme des petits soldats,	Nós marchamos, cabeças erguidas como pequenos soldados,
Marquant, sans faire de faute,  			Marcando, sem cometer um erro,
une, deux, marquant le pas.				Um, dois, marcando o passo.
Les épaules en arrière et la poitrine en dehors, 	Os ombros para trás e o peito para fora,
Les bras de cette manière				Os braços desta maneira
Tombant tout le long du corps.				Caindo ao longo do corpo.

Mensagem do maestro

Meus amigos dia 09.10, próximo domingo, às 17h apresentaremos a II Récita/Cortina Lírica da ópera “A Noite do Castello”, a primeira de Carlos Gomes. Será no Teatro do Centro de Convivência com entrada FRANCA.

Se vc não teve oportunidade de assistir a I Récita, não pode perder essa. Venha prestigiar a Orquestra Cia. de Ópera Carlos Gomes, os Corais Collegium Vocale e Ars Musicalis, e os solistas: Sebastião Soares Teixeira, Pergy Grassi, Tenor Christian DaynerJosé Luiz Águedo-Silva e Karine Martimbianco; a preparação do coro foi Akira Kawamoto e a correpetição do pianista Carlos Wiik. Regência Hermes Coelho.

VAMOS JUNTOS RETOMAR A ARTE OPERÍSTICA PARA A CIDADE DE CARLOS GOMES, o maior compositor de óperas das américas!! Campinas merece!! Junte-se a nós.

REALIZAÇÃO: ABAL e Secretaria de Cultura.

Maestro Hermes Coelho Gomes

Trecho de libretto do dia: I Pagliacci

Si può?… Si può?…
(Posso?… Posso?…)

Signore! Signori!… Scusatemi
se dal sol me presento. Io sono il Prologo.
(Senhoras! Senhores!… Desculpai-me
se sozinho me apresento. Eu sou o Prólogo.)

Poiché in iscena ancor le antiche maschere
mette l’autore, in parte ei vuol riprendere
le vecchie usanze, e a voi di nuovo inviami.
(Porque em cena novamente as antigas máscaras
o autor coloca, em parte ele quer recuperar
os velhos costumes, e a vós de novo me envia.

Ma non per dirvi come pria: “Le lagrime
che noi versiam son false! Degli spasimi
e de’ nostri martir non allarmatevi!”
(Mas não para dizer-vos como antes: “As lágrimas
que versamos são falsas! Com os espasmos
e com nosso martírio não vos assustais!)

No! No: L’autore ha cercato invece pingervi
uno squarcio di vida. Egli ha per massima
sol che l’artista è un uomo e che per gli uomini
scrivere ei deve. Ed al vero ispiravasi.
(Não! Não: O autor buscou ao invés pintar-vos
um vislumbre da vida. Ele tem como máximo
somente que o artista é um homem e para os homens
ele deve escrever. E inspirar-se pelo que é verdadeiro.)

O que a nona de Beethoven significa para mim

Abro aqui um post-parênteses para, novamente, falar de uma peça que não é ópera. Trata-se da Nona Sinfonia de Beethoven.

Hoje, no caminho para o trabalho, comecei muito bem o dia ao ouvir os primeiros acordes dessa música.

Essa sinfonia, para mim, é uma das provas da existência divina. De verdade. Ela me inspira tanta coisa que eu fico como aquelas crianças que acabaram de voltar de sua primeira excursão com a escola no zoológico e se engasgam ao contar para os pais, sem saber o que falar primeiro, de tanta novidade.

Ufa. Não quero entrar nos aspectos técnicos ou dizer como é admirável que Beethoven tenha escrito isso quando já estava surdo. É mais do que admirável. É quase inimaginável. Bem, eu acho a Nona Sinfonia de Beethoven uma peça sublime. Ao escutá-la, em especial a Ode to Joy, sinto como se cada célula do meu corpo estivesse renascendo, se enchendo de oxigênio, há uma  enxurrada de adrenalina no meu coração e parece que, se não houver uma válvula de escape, tudo vai… explodir!!

Para minha felicidade, esta válvula de escape existe: é a própria sinfonia que, nota após nota, violino após violino, coro após coro, vai aliviando esta tensão em uma catarse infinita. É como cair de uma montanha russa que não acaba. É um orgasmo musical.

E cada nota, apesar de surpreendente, parece que já era esperada desde há muito tempo, já era conhecida. Digo não conhecida desde a infância, pois isso realmente é. Eu a conheço de algum lugar que eu não sei qual é… ah, já sei. Lembrei. Nós nos conhecemos lá naquela nossa fagulha divina, nossa porção de seres humanos que também é Deus… nós, e ela, viemos de lá. Por isso sinto que a conheço há uma eternidade.

Para mim, sinceramente, essa sinfonia representa toda a força que a gente carrega aqui dentro. Nós, seres humanos, nós, a natureza, nós, pedacinhos de Deus. É tão divino e, ao mesmo tempo, tão humano. É o trabalho de um grande homem. É aí que tenho certeza da nossa conexão com a fonte.

Ouvindo, eu quase esqueço que existe partitura. Que os músicos estão seguindo as notas. Sinto que é uma coisa só, pronta, um presente, que simplesmente acontece aos nossos ouvidos. Aliás, para mim, é essa a sensação que uma boa interpretação deve dar.

É incrível como uma combinação de notas tem o poder de causar esse turbilhão de sentimentos.

Para quem quiser ouvir, Vienna Phillarmonic com L. Bernstein. Um dos trechos que eu mais amo. É de chorar de alegria.

Grandes Vozes no Theatro São Pedro

Duas cantoronas (como diz meu professor) se apresentarão em setembro no Theatro São Pedro, em São Paulo, para o programa Grandes Vozes.

Giovanna Casolla (soprano italiana): 13/9 (terça-feira, 20h30)
Participação do tenor brasileiro Richard Bauer.
Programa: Puccini, Verdi, Donizetti, Mascagni e Cilea.
Entrada Franca

Maria Bayo (soprano espanhola): 16/9 (sexta-feira, 20h30) e 18/9 (domingo, 17h)
Programa: Handel e Mozart
R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia)

 

Theatro São Pedro
Rua Barra Funda, 171 – Barra Funda
São Paulo – SP
Informações: (11) 3667-0499 (de quarta a domingo, das 14h até 19h)
www.ingressorapido.com.br

Óperas no Municipal – ainda dá tempo!!

Quem ainda não comprou seus ingressos para as óperas do Theatro Municipal de São Paulo deste segundo semestre de 2011 ainda tem esperanças.

Como estão vendendo tudo de uma vez até o final do ano, muitas récitas já estão esgotadas. Para Rigoletto já não se encontra mais nada. Mas ainda é possível comprar para as seguintes óperas e apresentações (pelo menos até o momento em que vos escrevo):

 

O Menino e os Sortilégios (Maurice Ravel)
12/10 (quarta-feira, 17h): Anfiteatro/ Balcão Nobre 1/ Balcão Nobre 2/ Balcão Simples 3/ Foyer 1/ Foyer 2/ Foyer 3/ Frisas 1/ Frisas 2/ Galeria 3/ Platéia
13/10 (quinta-feira, 21h): Anfiteatro/ Balcão Nobre 1/ Balcão Nobre 2/ Balcão Simples 3/ Foyer 1/ Foyer 2/ Foyer 3/ Frisas 1/ Frisas 2/ Galeria 3/ Platéia
15/10 (sábado, 20h): Anfiteatro/ Balcão Nobre 1/ Balcão Nobre 2/ Balcão Simples 3/ Foyer 1/ Foyer 2/ Foyer 3/ Frisas 1/ Frisas 2/ Galeria 3/ Platéia
16/10 (domingo, 17h): Anfiteatro/ Balcão Nobre 1/ Balcão Nobre 2/ Balcão Simples 3/ Foyer 1/ Foyer 2/ Foyer 3/ Frisas 1/ Frisas 2/ Galeria 3/ Platéia

 

A Valquíria (Richard Wagner)
17/11 (quinta-feira, 19h): Anfiteatro/ Balcão Simples 3/ Foyer 2/ Foyer 3/  Frisas 2/ Galeria 3/ Platéia
21/11 (segunda-feira, 19h): Anfiteatro/ Balcão Simples 3/ Foyer 2/ Foyer 3/ Frisas 2/ Galeria 3
23/11 (quarta-feira, 19h): Anfiteatro/ Balcão Nobre 2/ Balcão Simples 3/ Foyer 3/ Frisas 1/ Frisas 2/ Galeria 3
25/11 (sexta-feira, 19h): Anfiteatro/ Foyer 3

 

O Morcego (Johann Strauss)
9/12 (sexta-feira, 21h): Anfiteatro/ Balcão Nobre 1/ Balcão Nobre 2/ Balcão Simples 3/ Foyer 1/ Foyer 2/ Foyer 3/ Frisas 1/ Galeria 3/ Platéia
10/12 (sábado, 20h): Anfiteatro/ Balcão Nobre 1/ Balcão Nobre 2/ Balcão Simples 3/ Foyer 1/ Foyer 2/ Foyer 3/ Frisas 1/ Frisas 2/ Galeria 3/ Platéia
11/12 (domingo, 17h): Anfiteatro/ Balcão Nobre 1/ Balcão Nobre 2/ Balcão Simples 3/ Foyer 1/ Foyer 3/ Frisas 1/ Frisas 2/ Galeria 3/ Platéia
12/12 (segunda-feira, 21h): Anfiteatro/ Balcão Nobre 1/ Balcão Nobre 2/ Balcão Simples 3/ Foyer 1/ Foyer 2/ Foyer 3/ Frisas 1/ Frisas 2/ Galeria 3/ Platéia
14/12 (quarta-feira, 21h): Anfiteatro/ Balcão Nobre 1/ Balcão Nobre 2/ Balcão Simples 3/ Foyer 1/ Foyer 2/ Foyer 3/ Frisas 1/ Frisas 2/ Galeria 3/ Platéia

Veja o mapa de assentos aqui.

Corram e aproveitem!!

 

 

www.ingressorapido.com.br/prefeitura

Telefone para televendas: 4003-2050
Bilheteria do Teatro - Vendas no local. Informações: 3397-0327.

 

Met ao vivo

Não é sempre que a gente tem oportunidade de ir até Nova York e assistir a uma belíssima apresentação ao vivo, certo? Eu diria até, quase nunca!! O bom é que vamos poder assistir a mais um espetáculo do Met em cinemas do Brasil, ao vivo, na mesmíssima hora que os felizardos nova-iorquinos.

Essa não dá para perder: Die Walküre (A Valquíria), de Wagner, vai ser exibido nas salas brasileiras dia 14/05, o famoso amanhã, às 13h. Corra porque ainda há ingressos.

Onde?
Em São Paulo, nos seguintes cinemas:

Cinemark Eldorado
Kinoplex Itaim
Kinoplex Vila Olímpia
UCI Jardim Sul

Também será exibida em grandes cidades como Brasília, Campinas e Rio de Janeiro.
Compre pelo site ingresso.com

E olha só o elenco:

Deborah Voigt (Brünnhilde)
Eva-Maria Westbroek (Sieglinde)
Stephanie Blythe (Fricka)
Jonas Kaufmann (Siegmund)
Bryn Terfel (Wotan)
Hans-Peter König (Huning)

Produção de Robert Lepage
Regência de James Levine

Nomes de peso!!

Die Walküre é a segunda parte das quatro que compõem a tetralogia épica Der Ring des Nibelungen (O Anel dos Nibelungos). A ópera é inspirada na lenda nórdica da Saga de Volsunga.